sexta-feira, 17 de junho de 2011

SE VOCÊ QUISER

Eu sei que a gente ia ser feliz juntinho
Pra todo dia dividir carinho
Tenho certeza de que daria certo
Eu e você, você e eu por perto
Eu só queria ter o nosso cantinho
Meu corpo junto ao seu mais um pouquinho
Tenho certeza de que daria certo
Nós dois sozinhos num lugar deserto
Eu sei que eu ia te fazer feliz
Dos pés até a ponta do nariz
Da beira da orelha ao fim do mundo
Sugando o sangue de cada segundo 
Te dou um filho, te componho um hino
O que você quiser saber eu ensino
Te dou amor enquanto eu te amar
Prometo te deixar quando acabar
Se você não quiser
Me viro como der
Mas se quiser me diga, meu amor
Pois se você quiser
Me viro como for
Para que seja bom como já é...
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AMORES FINDOS

Desconfio dos amores findos que não se pode olhar nos olhos, desconfio das histórias terminadas que não podem ser lembradas, desconfio dos romances exauridos que sempre deixam um gosto amargo na boca. Que amor findo é esse do qual se tem que desviar os olhos? Que história terminada é essa que a lembrança dói tanto? Que romance exaurido é esse do qual não se pode falar? Tudo isso me soa a fantasma à solta, a esqueleto no armário, à sujeira bem mal disfarçada debaixo do tapete.
Amor resolvido é amor absorvido e absolvido, superado e fagocitado, que passa a fazer parte de nós e não se comporta como um espinho encravado prestes a inflamar, ou uma bomba prestes a explodir na nossa cara. Por mais triste que tenha sido o desfecho, ou a gente pensa e digere, ou segue sendo atormentado por isso para sempre. Amor findo a gente senta e toma chope, ou pelo menos cumprimenta com sorriso, ainda que amareladinho. Não atravessa a rua, não sai correndo, não se esconde no banheiro, não bate telefone na cara. Ou se resolveu, ou não.
Se não, melhor do que fugir feito o diabo da cruz, enterrar a cabeça na areia feito avestruz, andar por aí com a cabeça enfiada num capuz, o melhor é se conscientizar que não passou e parar de chamar urubu de meu louro. Enquanto a gente finge que não é conosco, os fantasmas continuam arrastando correntes pelos corredores e perturbando o nosso sono.